Dr. Silvyo Giffoni

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Conteúdo educativo em Neuropediatria

TDAH ou agitação infantil? Quando buscar uma avaliação

TDAH · Diagnóstico e avaliação

Nem toda criança agitada tem TDAH — e o TDAH não se resume a “ter muita energia”. Entenda quais sinais merecem atenção, por que o diagnóstico depende do contexto e quando conversar com um profissional.

É comum que pais, responsáveis e professores se perguntem se uma criança muito inquieta está apenas atravessando uma fase ou se os comportamentos podem estar relacionados ao transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, conhecido como TDAH. Essa dúvida merece ser acolhida sem conclusões precipitadas.

O TDAH é uma condição do neurodesenvolvimento associada a padrões persistentes de desatenção, hiperatividade e/ou impulsividade que podem interferir na vida cotidiana. Porém, uma criança pode estar agitada por muitos motivos, e comportamentos semelhantes também podem aparecer em situações de sono insuficiente, ansiedade, dificuldades de aprendizagem, mudanças na rotina ou outros problemas de saúde. Por isso, o diagnóstico é um processo clínico e não o resultado de um único comportamento ou teste.[1] [2]

Criança agitada é sempre uma criança com TDAH?

Não. Energia, curiosidade, movimentação e dificuldade ocasional para esperar fazem parte da infância. O comportamento infantil também varia conforme a idade, o ambiente, o tipo de atividade, a qualidade do sono, as mudanças familiares e as exigências da escola.

A pergunta clínica não é apenas “a criança é agitada?”. É preciso observar há quanto tempo os comportamentos aparecem, em quais situações, com que intensidade e quais prejuízos produzem. Também é importante verificar se a dificuldade ocorre somente em um ambiente ou se é percebida por diferentes pessoas em mais de um contexto, como casa, escola e convivência com outras crianças. O CDC destaca que a avaliação deve considerar relatos de pais, professores e outros cuidadores em diferentes ambientes.[1]

Como interpretar o comportamento

Observe o contexto antes de tirar conclusões

Os exemplos abaixo ajudam a organizar a observação, mas nenhum deles confirma ou exclui TDAH isoladamente.

ObservaçãoA criança corre, fala muito ou tem bastante energia.
Por que não basta para concluir TDAHEsses comportamentos podem fazer parte do temperamento e da fase de desenvolvimento.
Próximo passo possívelObservar frequência, contexto e impacto nas atividades.
ObservaçãoA dificuldade aparece somente em uma aula, tarefa ou ambiente.
Por que não basta para concluir TDAHUma situação específica pode envolver método de ensino, ansiedade, conflito, dificuldade de aprendizagem ou outra causa.
Próximo passo possívelConversar com os adultos envolvidos e registrar exemplos concretos.
ObservaçãoDesatenção, impulsividade ou inquietação persistem e interferem em mais de um ambiente.
Por que não basta para concluir TDAHO padrão merece investigação, mas ainda não confirma um diagnóstico por si só.
Próximo passo possívelAgendar uma avaliação profissional e levar informações de casa e da escola.

Quais sinais merecem atenção?

Uma avaliação pode ser apropriada quando os responsáveis percebem um padrão persistente de dificuldades que interfere na aprendizagem, nas relações, na organização das tarefas, na segurança ou na participação da criança em atividades adequadas à sua idade.

Entre as situações que podem justificar uma conversa com um profissional estão:

  • dificuldade frequente para manter a atenção em tarefas compatíveis com a idade;
  • perda constante de materiais, esquecimentos ou abandono repetido de atividades;
  • impulsividade que gera conflitos, acidentes ou dificuldade persistente para esperar;
  • inquietação intensa que impede a participação em atividades estruturadas;
  • problemas observados de forma recorrente em casa e na escola, ou em outros contextos importantes;
  • queda no rendimento, sofrimento emocional ou prejuízo nas relações associado a esse padrão de comportamento.

Esses sinais são motivos para investigar, não uma confirmação de TDAH. O mesmo comportamento pode ter explicações diferentes, e mais de uma condição pode ocorrer ao mesmo tempo. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde orienta que a suspeita de TDAH seja investigada por meio de avaliação clínica e psicossocial completa, com atenção ao diagnóstico diferencial e às comorbidades.[3]

Como funciona a avaliação para TDAH?

Não existe um exame único capaz de confirmar TDAH. A avaliação reúne informações sobre o desenvolvimento e o funcionamento da criança, além de observar se os sintomas são persistentes, se aparecem em diferentes situações e se causam prejuízo real. O CDC também ressalta que problemas de sono, ansiedade, depressão e algumas dificuldades de aprendizagem podem apresentar sintomas semelhantes aos do TDAH.[1]

Dependendo da história apresentada, o profissional pode:

  1. conversar com os responsáveis sobre o desenvolvimento, a saúde, a rotina e o comportamento da criança;
  2. considerar informações da escola e de outros adultos que acompanham a criança;
  3. investigar aprendizagem, linguagem, sono, humor, ansiedade, relações sociais e possíveis condições associadas;
  4. realizar exame clínico e solicitar avaliações complementares quando houver indicação;
  5. usar escalas ou questionários como instrumentos de apoio e acompanhamento, sem tratá-los como diagnóstico isolado.

O PCDT brasileiro descreve a participação de médico habilitado, como pediatra, psiquiatra, neurologista ou neuropediatra, e o envolvimento de equipe multiprofissional treinada e experiente em TDAH, conforme a necessidade do caso.[3] A diretriz NICE também organiza recomendações para reconhecimento, encaminhamento e diagnóstico de TDAH em crianças, adolescentes e adultos.[2]

O que os responsáveis podem observar antes da consulta?

Em vez de tentar fechar um diagnóstico em casa, pode ser útil organizar exemplos do cotidiano. Anote quando a dificuldade aparece, qual atividade estava sendo realizada, quem observou, quanto tempo durou e qual foi o impacto. Também vale reunir informações sobre sono, alimentação, saúde, uso de medicamentos, rotina escolar, aprendizagem e mudanças recentes na vida da criança.

Se a escola ou outro cuidador percebeu comportamentos semelhantes, peça descrições concretas. “Ele é muito desatento” é menos útil do que “precisa de vários lembretes para começar uma tarefa e abandona a atividade antes de concluí-la”. Exemplos ajudam o profissional a compreender o funcionamento da criança em diferentes contextos.

Também é importante registrar as habilidades e os interesses da criança. Uma avaliação não deve olhar apenas para dificuldades: compreender o que ela faz bem, o que a motiva e em quais ambientes consegue se organizar ajuda a construir um cuidado mais individualizado.

Perguntas frequentes

Existe um teste online para saber se meu filho tem TDAH?

Questionários disponíveis na internet podem estimular a reflexão, mas não confirmam TDAH. Instrumentos de rastreio ou escalas podem fazer parte de uma avaliação, porém precisam ser interpretados junto com a história do desenvolvimento, o funcionamento da criança e informações de diferentes contextos.

Se a criança vai bem na escola, ela não pode ter TDAH?

O desempenho escolar é uma informação importante, mas não é o único aspecto a ser considerado. A avaliação também observa esforço, organização, relações, sofrimento, autonomia, rotina e o funcionamento em diferentes ambientes. Uma criança pode compensar algumas dificuldades ou apresentar prejuízos principalmente fora da sala de aula.

Se a dificuldade aparece apenas em casa, é TDAH?

Uma dificuldade restrita a um ambiente não confirma TDAH. Ela pode indicar que é necessário compreender melhor a rotina, as demandas, as relações e os fatores presentes naquele contexto. Quando há preocupação persistente, vale conversar com os adultos envolvidos e buscar orientação profissional.

É preciso esperar a situação piorar para procurar ajuda?

Não. Se a família ou a escola percebe um padrão persistente que gera prejuízo ou sofrimento, já é possível buscar orientação. Conversar com um profissional não significa que o diagnóstico será confirmado; significa que a situação poderá ser compreendida com mais cuidado.

Qual profissional pode avaliar uma suspeita de TDAH?

A avaliação pode envolver pediatra, neuropediatra, psiquiatra ou outros profissionais capacitados, conforme a necessidade e a organização do cuidado. Em alguns casos, a participação de psicologia, fonoaudiologia, psicopedagogia, escola ou outros profissionais ajuda a compreender o funcionamento da criança de forma mais ampla.

Quando procurar uma avaliação em Campinas?

Se você observa desatenção, impulsividade ou inquietação persistentes e isso interfere na rotina, na aprendizagem, nas relações ou no bem-estar da criança, converse com um profissional qualificado. Leve exemplos de casa e da escola e evite iniciar, interromper ou modificar medicamentos e suplementos sem orientação.

O Dr. Silvyo David Araújo Giffoni atua na área de Neuropediatria em Campinas. Para informações atualizadas sobre atendimento, faixa etária, endereço e agendamento, consulte a página Atendimento e contato.

Agende uma avaliação

Uma avaliação individual pode ajudar a entender o comportamento da criança, investigar possíveis causas e orientar os próximos passos de forma responsável.

Conheça as informações de atendimento em Campinas

Fontes consultadas

  1. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Diagnosing ADHD. Página consultada em agosto de 2026.
  2. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Attention deficit hyperactivity disorder: diagnosis and management — NG87. Página revisada pelo NICE em julho de 2026.
  3. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade — resumo, Portaria Conjunta nº 14, de 29 de julho de 2022.