CONTEÚDO EDUCATIVO: DIAGNÓSTICO E AVALIAÇÃO
Um dos temas que mais gera dúvida entre famílias de meninas com suspeita de autismo (TEA) é o chamado “camuflagem” ou “masking”: um conjunto de estratégias de compensação social que pode dificultar o reconhecimento de características do espectro autista, especialmente em quadros mais leves. Neste vídeo, o Dr. Silvyo Giffoni explica o que pode estar por trás desse atraso no diagnóstico e como a intervenção terapêutica pode ajudar.
O que é a camuflagem (masking) no autismo
A camuflagem é o conjunto de estratégias, muitas vezes inconscientes, que algumas meninas com TEA desenvolvem para imitar comportamentos sociais esperados, como reproduzir expressões, aprender regras sociais de forma cognitiva e conter comportamentos repetitivos em público. Essas estratégias podem fazer com que características do espectro autista fiquem menos evidentes em uma primeira avaliação, o que pode estar associado a diagnósticos mais tardios, principalmente nos quadros mais leves.
Por que pode dificultar o reconhecimento e a avaliação
Quando uma menina consegue, ao menos parcialmente, reproduzir comportamentos sociais esperados, sinais que normalmente chamariam atenção em uma avaliação podem passar despercebidos. Isso não significa que a dificuldade deixou de existir: o esforço de sustentar essa camuflagem ao longo do dia pode ser cansativo e estar associado a maior sobrecarga emocional. Por isso, a avaliação de meninas com suspeita de TEA deve considerar não apenas o comportamento observável em consulta, mas também o relato da família e da escola sobre o funcionamento em diferentes contextos.
Como a intervenção terapêutica pode ajudar
Segundo o Dr. Silvyo, quando a camuflagem é identificada, o trabalho terapêutico pode ser direcionado para reforçar habilidades de interação social de forma mais estruturada, incluindo:
- Reconhecimento de pistas sociais e de emoções, incluindo pistas faciais concretas, não apenas em imagens;
- Leitura de reações no outro, além do reconhecimento de emoções isoladas;
- Acompanhamento fonoaudiológico voltado à compreensão de metáforas e piadas;
- Acompanhamento neuropsicológico ou psicológico, com terapia cognitivo-comportamental (TCC).
Essas frentes costumam ser trabalhadas de forma conjunta, e a indicação de cada uma delas depende da avaliação individual da criança, conduzida por profissionais especializados.
Por que isso importa para as famílias
Entender o mecanismo da camuflagem pode ajudar pais e responsáveis a não descartarem a possibilidade de TEA apenas porque a menina “se sai bem socialmente” em determinados ambientes. Diante de dúvidas sobre o desenvolvimento social, de comunicação ou comportamental de uma criança, o caminho mais seguro é buscar avaliação clínica especializada em neurodesenvolvimento infantil.
Vídeo: Dr. Silvyo Giffoni responde
Autoria: Dr. Silvyo David Araújo Giffoni, CRM/SP 80464, RQE 45568
Fontes: CDC: Data and Statistics on Autism Spectrum Disorder; Frontiers in Education: Gender differences in autism diagnostic practices; Organização Mundial da Saúde: Child and Adolescent Health
Revisão médica: Dr. Silvyo Giffoni (autoria própria)
Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação individual. Em caso de dúvida sobre o desenvolvimento da sua filha ou filho, procure orientação médica especializada.
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