CONTEÚDO EDUCATIVO: TRATAMENTO E INTERVENÇÕES
O neurofeedback é um tratamento eficaz para o TDAH? Neste vídeo, o Dr. Silvyo Giffoni explica o que dizem os estudos científicos e ensaios clínicos sobre esse tipo de intervenção, incluindo seus efeitos sobre a atenção, a hiperatividade, a impulsividade e as funções executivas.
O que é o neurofeedback e por que o tema é controverso
O neurofeedback é uma técnica de treino cerebral que utiliza sinais de eletroencefalograma para que a criança aprenda, de forma gradual, a modular determinados padrões de atividade elétrica cerebral. É um tema estudado há décadas no TDAH, com diversos ensaios clínicos randomizados, duplo-cegos, e revisões sistemáticas com metanálise, mas os resultados desses estudos não são unânimes, o que torna o tema controverso mesmo entre especialistas.
O que os estudos mostram sobre atenção, hiperatividade e impulsividade
Uma metanálise de referência, publicada em 2016 no Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, reuniu 13 ensaios clínicos randomizados com 520 pacientes com TDAH. Segundo o Dr. Silvyo, quando a avaliação dos sintomas era feita por avaliadores cegados, ou seja, sem saber quem recebeu o tratamento, não houve diferença estatisticamente significativa em atenção, hiperatividade e impulsividade entre o grupo que fez neurofeedback e o grupo controle. Diferenças significativas só apareceram nas avaliações feitas por quem estava mais próximo do tratamento, o que é uma limitação metodológica importante desse tipo de estudo.
O que estudos mais recentes mostram sobre funções executivas
Uma metanálise mais recente, publicada em 2025 na revista Scientific Reports, avaliou 17 ensaios clínicos randomizados com 939 crianças com TDAH, com foco específico nas funções executivas. Segundo o Dr. Silvyo, esse estudo encontrou efeito estatisticamente significativo do neurofeedback sobre a função executiva global, o controle inibitório e, principalmente, a memória de trabalho, com significância estatística (p menor do que 0,05) e efeito sustentado ao longo do tempo.
Por que o neurofeedback não deve ser visto como substituto de outras intervenções
Somando esses achados, o quadro que emerge é o seguinte: não há, até o momento, evidência robusta de benefício rápido e específico do neurofeedback sobre os sintomas centrais do TDAH, como atenção, hiperatividade e impulsividade, quando avaliados de forma cegada. Já em relação ao treino de funções executivas, como controle inibitório e memória de trabalho, os dados mais recentes são mais consistentes. Por isso, segundo o Dr. Silvyo, o neurofeedback não deve ser apresentado como substituto universal de acompanhamento médico, terapias de apoio (como neuropsicologia, psicologia ou psicopedagogia) ou de outras intervenções indicadas individualmente para cada criança.
Por que isso importa para as famílias
Entender essas nuances ajuda famílias a tomar decisões mais informadas sobre o neurofeedback, sem expectativas irreais de resultado rápido, nem descartar seu potencial benefício em funções executivas específicas. A indicação de qualquer intervenção, incluindo o neurofeedback, deve sempre partir de avaliação individual conduzida por profissionais especializados em neurodesenvolvimento infantil.
Para saber mais, veja também o artigo sobre se todo paciente neuroatípico precisa usar medicação.
Vídeo: Dr. Silvyo Giffoni responde
Autoria: Dr. Silvyo David Araújo Giffoni, CRM/SP 80464, RQE 45568
Fontes: Cortese S, et al. Neurofeedback for Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder: Meta-Analysis of Clinical and Neuropsychological Outcomes From Randomized Controlled Trials. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry, 2016; Neurofeedback training for executive function in ADHD children: a systematic review and meta-analysis. Scientific Reports, 2025
Revisão médica: Dr. Silvyo Giffoni (autoria própria)
Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação individual. Em caso de dúvida sobre o tratamento do seu filho, procure orientação médica especializada.
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